Edital de Doctoring: Linha 3 ganha direito à bolsa

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O Edital de Doctoring, cujas inscrições terminam já no próximo dia 13/10, passou por uma alteração que visa ampliar a competitividade do concurso e garantir um equilíbrio de qualidade das obras.

Os proponentes aprovados na Linha 3, voltada a roteiristas experientes sem contrato com terceiros (produtoras e/ou distribuidoras), passarão a receber bolsas de R$ 5 mil por mês ao longo de um semestre. Serão dez ao todo, exatamente como os autores selecionados na Linha 4 [Veja mais detalhes abaixo]. Antes da mudança, os aprovados na Linha 3 não tinham direito ao recurso.

O programa vai dar consultoria profissional para roteiristas residentes na cidade de São Paulo que tenham o primeiro tratamento da obra pronto. Quem conduz as atividades são os argentinos Gualberto Ferrari e Miguel Machalski, ambos especialistas na área.

O edital está dividido em quatro linhas, classificadas de acordo com o vínculo e o currículo do proponente. Na primeira, o roteirista precisa estar associado, necessariamente, a uma produtora e a uma distribuidora. Já na segunda, o roteirista deve estar vinculado apenas a uma empresa produtora.

As linhas 3 e 4 são dedicadas, respectivamente, aos autores experientes (porém sem contrato com terceiros) e iniciantes. Serão escolhidos até 30 projetos, cinco em cada uma das duas primeiras linhas; e dez nas seguintes.

“A Spcine nasceu com a premissa de valorizar o roteiro e a dramaturgia como aspectos essenciais do desenvolvimento da atividade”, aponta Alfredo Manevy, diretor-presidente da Spcine.

Em 2013, em conjunto com a aprovação da lei que criou a Spcine, a Prefeitura de São Paulo já realizava o edital de fomento ao roteiro, contemplando 60 roteiros, entre eles 22 longas. “Neste novo programa, com foco nos doctorings, o objetivo é ajudar projetos em fase de desenvolvimento a alcançar o maior aprimoramento possível, e também encontrar rapidamente financiamento junto a agentes públicos e privados. O programa deseja assim encurtar os tempos de produção, integrando criatividade e estratégia de produção e de lançamento”, completa.

A cineasta Anna Muylaert aprova a iniciativa. “Quem aprende a ouvir críticas e se deixar penetrar por elas está muito mais apto a fazer um bom filme do que quem confia apenas no próprio julgamento”, declara. A diretora participou das primeiras conversas sobre o programa da Spcine.

A empresa paulista também consultou a Associação Brasileira de Autores Roteiristas (ABRA). Para Ricardo Hofstetter, presidente do grupo, o programa é imprescindível. “O roteiro é a base, o alicerce sobre o qual toda obra audiovisual se apoia, em especial na ficção; sem uma base sólida, jamais teremos grandes obras audiovisuais ou um mercado forte. Por isso é fundamental investir no desenvolvimento de roteiros”.

Seleção

Uma vez inscritos, os proponentes serão avaliados por um corpo de jurados composto por seis profissionais do audiovisual. Como em editais anteriores da Spcine, o colegiado também terá paridade de gênero.

Um dos integrantes é Rafael Sampaio, diretor do BrLab, laboratório de desenvolvimento de projetos audiovisuais. Para ele, a constante necessidade de reescrever o roteiro sem perder o sentido ou a direção é um dos principais desafios do processo de autoria. “A oportunidade de ser acompanhado por um consultor ao longo de todo o processo de desenvolvimento de uma obra é realmente única. A figura do script-doctor irá proporcionar uma ajuda e a interlocução constante e necessária na hora de polir e estruturar diversos aspectos do roteiro como estrutura, diálogo, ritmo, entre outros”, reitera.

Doctoring

Com os 30 projetos selecionados, dá-se início ao doctoring com os especialistas argentinos Gualberto Ferrari, que assume a coordenadoria do processo, e Miguel Machalski.

Ferrari é formado em direito, trabalhou como jornalista na Europa e, a partir dos anos 1980, passou a colaborar com diversos roteiros de cinema e TV. Como roteirista, assinou longas-metragens como “Buenos Aires Ida y Vuelta” e o documentário “Evita, una estrella de Show-Biz”. Foi co-realizador do filme “Havanna”, vencedor do Grande Prêmio Golden Gate Awards, no Festival de São Francisco, em 1991. E realizou também os documentários “Cadiz” e “São Paulo Gigante e Intimista”.

“Meu trabalho como coordenador vai me permitir construir um programa intenso, singular e que oriente o futuro do cinema paulistano, procurando melhorar esse instrumento tão importante que é o roteiro”, afirma Ferrari.

Já Machalski é consultor, educador e roteirista na área de cinema internacional. Conhecido por conceder oficinas e assessoria a projetos em universidades, escolas e festivais de cinema de todos os continentes. Foi analista de roteiro de filmes como Billy Elliot, Menina de Ouro e Femme Fatale.

As reuniões com os dois acontecerão três vezes ao longo de um semestre, e terão início 30 dias após o resultado do edital. Depois, os participantes terão mais dois meses para entregar a versão final do roteiro. Neste período, todos os candidatos serão convidados a participar de seminários apoiados pela Spcine. Eventos com profissionais do mercado também estarão entre as atividades do programa.

Resumo

LINHA 1

Público-alvo: para roteiristas vinculados a uma produtora e a uma distribuidora | Formatos: ficção ou animação | Definições gerais: das cinco vagas, pelo menos uma precisa ser um projeto derivado de um produto cultural existente, tais como obra literária, games, HQs, série, videoclipe, entre outros;

LINHA 2

Público-alvo: para roteiristas vinculados a apenas uma produtora | Formatos: ficção, animação ou documentário | Definições gerais: de cinco vagas, serão reservadas pelo menos uma para roteirista de obras seriadas e/ou telefilmes sem experiência prévia no cinema, além de ao menos dois documentários;

LINHA 3

Público-alvo: para roteiristas experientes e sem vínculo com terceiros | Formatos: Ficção, animação ou documentário | Definições gerais: de dez vagas, serão reservadas pelo menos duas para roteiristas de obras seriadas e/ou telefilmes sem experiência prévia no cinema, além de ao menos dois documentários. Uma das categorias que oferece bolsa. Os dez contemplados receberão R$ 5 mil mensais ao longo de seis meses. O valor total do investimento da linha é de R$ 300 mil;

LINHA 4

Público-alvo: para roteiristas iniciantes | Formatos: Ficção, animação ou documentário | Definições gerais: Assim como na Linha 3, a Spcine também disponibilizará uma bolsa de R$ 5 mil mensais ao longo de um semestre. Há dez vagas disponíveis. O valor total do investimento da linha é de R$ 300 mil. Entre os critérios, ao menos um projeto precisa ser um documentário.

Acesse aqui a íntegra do edital.

Para dúvidas, enviar mensagem para doctoring.spcine@gmail.com.

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