100 anos de animação: criadores brasileiros indicam seus filmes favoritos

Nathalia HenriqueDestaque, Notícias0 Comments

Segunda-feira, 22 de janeiro de 1917, centro do Rio de Janeiro, uma data memorável. A obra “O Kaiser”, de Álvaro Marins, mais conhecido como Seth, dava o pontapé inicial ao cinema de animação no Brasil.

Em 2017, no centenário do gênero, o país comemora a excelente exposição da produção nacional. Séries animadas para a TV como Peixonauta e O Show de Luna estão sendo exportados para dezenas de países. O Festival de Annecy, maior vitrine de animação do mundo, premiou três títulos brasileiros nos últimos anos.

Em 2013, Uma História de Amor e Fúria, de Luiz Bolognesi,  levou o cobiçado prêmio de melhor longa. O menino e o Mundo, de Alê Abreu,  trouxe o prêmio pra casa em 2014, além da indicação ao Oscar de melhor longa de animação ano passado, inédito para o país. E, em 2015, o curta Guida, de Rosana Urbes, foi premiado como Melhor Primeiro Curta.

Para celebrar o centenário, conversamos com alguns animadores sobre os filmes que mais os inspiram.

Ari Nicolosi
Cinema Animadores
Criador da animação Zica e os Camaleões

“Desde criança desenho animado é pura magia pra mim. A primeira vez que assisti um antigo programa chamado ‘Disneylandia’, o próprio Walt Disney mostrando seus processos, onde diversos desenhos criavam a ilusão de movimento, achei a coisa mais mágica. Filmes como Aristogatas, Mogli e Os 101 Dálmatas marcaram minha vida, assim como alguns comerciais de animação na TV, como o Frango da Sadia, e o curta ‘Natal da turma da Mônica’. Eu adorava desenhar, mas nem imaginava que um dia conseguiria trabalhar nesse mercado de tão complexo que parecia ser. Até que um dia fui contratado pela Black & White, produtora do Mauricio de Sousa, e lá me tornei um animador.”

Mogli – O Menino Lobo (1968)

Arnaldo Galvão
Cartunista e ilustrador para jornais e revistas como Folha de S. Paulo, Jornal Movimento, Versus e O Pasquim na década de 1970.
Diretor de O cinema animado.

“O filme brasileiro que me dá vontade de continuar é O projeto do meu pai, dirigido por Rosária [Moreira]”.

O projeto do meu pai (2016)

Celia Catunda
TV Pinguim
Criadora de O Show da Luna e Gemini 8

“Um filme que me inspira é o Kiriku, de Michel Ocelot, assisti mais de vinte vezes com meus filhos. E O Projeto do Meu Pai, da Rosária [Moreira].”

Kiriku e a Feiticeira (1998)

Cesar Cabral
Diretor dos curtas-metragens Dossiê Rê Bordosa e Tempestade


Uma obra que me inspirou e inspira até hoje é o curta A Garota das Telas, dirigido por Cao Hamburger em 1988. Realizado em animação stop motion, o curta faz uma declaração de amor ao cinema através de seus diversos gêneros.”

A Garota das Telas (1988)

Ivan Freire
Glaz Entretenimento e Birdo Studio
Atuou na produção de Reward na Dinamarca e Tromba-Trem

“Eu sou muito fã das animações do Cartoon Network, Nickelodeon dos anos 90, principalmente animação japonesa. Falando especificamente de filme, lembro do impactante, Meu vizinho Totoro.

Minha tia havia ganhado em alguma promoção uma fita com a animação, e eu era uma criança muito danada e elétrica e rara eram as coisas que prendiam minha atenção, acredito que ela tenha tentado me entreter por alguns minutos pra eu sossegar e conseguiu. Eu era bem pequeno devia ter meus 5 anos, e n lembro de entender muito bem o que acontecia, mas me lembro de ficar encantado e muito feliz quando a figura do Totoro aparecia, assisti duas vezes seguidas o filme.

Falando do cinema nacional gosto muito de Piconzé,  de Ypê Nakashima. Descobri recentemente a obra e fiquei maravilhado, pesquisei por diversos lugares e a ideia de um japonês com influências nipônicas criar uma animação com costumes brasileiros me atrai muito, é justamente o que tento fazer em meu trabalho pessoal.”

Piconzé (1972)

Ale Machado
TV Pinguim
Criador do desenho Peixonauta

“O filme que me deu um clique, ainda criança, de que era possível fazer desenho animado no Brasil foi Masp Movie, dirigido por  Hamilton Zini Jr, Salvador Messina e Sylvio Pinheiro, lembro que assisti no Lanterna Mágica da TV Cultura.”

Masp Movie (1986)

Rodrigo Olaio
Chatrone
Atuou na produção  de Dino Aventuras e Okay Let’s Play


“Foram três filmes assistidos em épocas diferentes que me afundaram na animação, e foram afundando em diferentes níveis.
São eles: Em 2001 Viagem de Chihiro, no ano de 2003 Procurando Nemo e em 2007 Persepolis.

Recentemente dois filmes nacionais que ajudaram a  me afundar ainda mais na área, por serem incríveis, são: Até que a Sbórnia nos Separe e O Menino e o Mundo.”

Até que a Sbórnia nos Separe (2013)

Sérgio Lopes
Conteúdos Diversos
Diretor da produtora Conteúdos Diversos.

“Eu venho do mercado publicitário, e me chamava a atenção o trabalho do pioneiro Rui Perotti, com quem tive aulas inspiradoras, ele usava a animação para passar mensagens educativas, como as do personagem ‘Sugismundo’. Mas não poderia deixar de citar o Alê Abreu que com seu lindo O Menino e o Mundo, que abriu ainda mais o mercado para os animadores brasileiros.”

O Menino e o Mundo (2013)

Silvia Prado
Cinema Animadores
Fundadora da produtora Cinema Animadores.

“Uma obra que me inspira é O projeto do meu pai dirigido pela Rosária Moreira. Outro filme que me tocou muito e é muito inspirador foi o Guida, da Rosana Urbes. O longa é sobre a feminilidade, delicado e forte ao mesmo tempo. Dá um orgulho danado trabalhar em uma área onde filmes tão sensíveis são feitos artesanalmente e com tanta arte.”

Guida (2014)

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